3 de março de 2015

Lição 10

NÃO FURTARÁS
Texto Áureo Ef. 4.28 – Leitura Bíblica  Ex. 20.15; 22.1-9


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Nesta aula estudaremos mais uma das dez palavras, trata-se de uma reflexão bíblico-teológica sobre o princípio da propriedade. Inicialmente, mostraremos a percepção bíblica do furto/roubo na Bíblia. Em seguida, nos voltaremos para os diferentes tipos de furtos/roubos na sociedade. Ao final, ressaltaremos a importância do trabalho, como forma legítima de sustento, além de dar glória a Deus.

1. O FURTO/ROUBO NA BÍBLIA
A palavra hebraica para “furtarás” é ganaf e significa, literalmente, “carregar algo, de forma sorrateira”. Tecnicamente furtar é se apoderar de algo que não pertence à pessoa. No contexto da sociedade judaica, esse verbo era usado para se referir ao arrombamento, assalto por meio de violência, pilhagem e sequestro, ou mesmo obtenção de recursos por meios indevidos. O verbo também tem a ver com peculato  - tomar fraudulosamente dinheiro ou bens de alguém; extorsão – receber dinheiro de alguém através de ameaça ou abuso de autoridade; e estelionato – obtenção de dinheiro ou recursos por meios ilegais. Como se pode perceber, ganaf tem um alcance bastante, de modo que abarca diferentes situações de furto e roubo na sociedade contemporânea. A partir de Lv. 19.9-13, é possível identificar também furtos na relação senhor e servo. Em termos aplicativos, existe o risco dos empregadores explorarem seus trabalhadores, retendo aquilo que lhes é de direito (Tg. 5.4). Por outro lado, os empregados não podem furtar seus empregadores. Antes devem trabalhar como ao Senhor, fazendo tudo para a glória de Deus (Cl. 3.20-23). O furto deve ser abandonado, ninguém deve agir com desonestidade, mesmo que essa prática seja considerada normal (Ef. 4.28). Os funcionários públicos que se envolveram em atos de corrupção devem seguir o exemplo de Zaqueu, e se arrependerem dos seus pecados (Lc. 19.8). 

2.   LADRÕES E LADRÕES
Acã é um exemplo bíblico de ladrão, quando o Senhor entregou Jericó nas mãos dos israelitas, Josué deu orientações para que ninguém se apropriasse do anátema (Js 6.16-19). Depois de seguir as instruções de Yahweh, o povo obteve êxito na empreitada, mas Acã resolveu desobedecer, e ficar com parte dos despojos da batalha (Js. 7.21). Talvez ele achasse que ninguém iria perceber, que o Deus de Israel não levaria isso em consideração. Mas os olhos do Senhor estão fitos nos atos pecaminosos dos homens. Ele viu o pecado de Acão, advertindo quanto às consequências para o povo (Js. 7.10-12). Existem ladrões e ladrões, todos são pecadores, e dignos do juízo divino. Contudo, há furtos/roubos que trazem maiores consequências à comunidade. Há quem pense que o desvio de determinadas quantias do erário público não causará grandes danos. A mídia alimenta essa crença, pois busca punição apenas para os ladrões que realizam pequenos furtos. Aqueles que roubam os mais pobres são acobertados, considerando que alguns têm foro privilegiado, e o controle dos meios de comunicação. Enquanto isso, milhares de pessoas estão nos corredores dos hospitais, tantas outras nas ruas sem emprego, e crianças sem uma educação pública de qualidade. Ao que tudo indica, o dinheiro é enviado para atender às demandas sociais, mas acabam sendo desviados, a fim de favorecer determinadas empresas, que elegem aqueles que deveriam representar o povo. A democracia é uma conquista cristã, objetivando o equilíbrio entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. Mas para isso precisamos investir  em seu avanço, defendendo urgentemente uma ampla reforma política. As grandes corporações não podem manobrar os partidos políticos, a fim de obterem enriquecimento ilícito, em detrimento dos recursos que deveriam ser destinados aos mais pobres. As campanhas eleitorais precisam ser mais econômicas, com controle de financiamento público e privado. Faz-se necessário por fim à impunidade, principalmente nos casos dos crimes “de colarinho branco”.

3. A DIGNIDADE DO TRABALHO
Ao invés de furtar ou roubar, a palavra de Deus direciona o ser humano ao trabalho, ressaltando sua dignidade (I Ts. 4.10-12), qualquer prosperidade decorrente de práticas ilícitas não é benção de Deus. É vergonhoso ver supostos cristãos na mídia orando, agradecendo a Deus por uma propina recebida. Os cristãos também são responsáveis pelo bem estar cultural, social e ambiental. Desde o início Deus deu a Adão a responsabilidade lavrar e guardar o jardim do Éden (Gn. 2.15), antes mesmo da Queda. Esse princípio se aplica aos crentes dos dias atuais. A nós é dada a missão de guardar o habitat, o meio ambiente no qual nos encontramos. Não estamos isentos da atribuição de cuidar do jardim, contribuindo para o processo de redenção da natureza, que se dará plenamente por ocasião da volta de Cristo (Rm. 8.22-24). Precisamos nos opor à cobiça e ao materialismo que resulta em ansiedade, um dos males da contemporaneidade (Mt. 6.24-34). A orientação bíblica é a de demonstrar amor ao próximo, promovendo a generosidade (Mt. 22.37-40). Ninguém deve ser impulsionado à preguiça (Pv. 6.10,11), nem tão pouco fazer apologia à pobreza (Pv. 30.8,9). Não somos adeptos da teologia da prosperidade (ou da ganância), e muito menos da privação (miséria), mas da provisão necessária. Devemos trabalhar com honestidade, a fim de obter uma condição financeira suficiente para o bem estar pessoal, familiar e social (I Ts. 4.11,12), agradecendo a Deus pelo pão nosso de cada dia (Mt. 6.11), aprendendo a cultivar o contentamento (Fp. 4.12), e exercitando a generosidade (II Co. 9.6-15).  

CONCLUSÃO
Jesus foi crucificado entre dois ladrões, um a sua direita e outra à esquerda (Mt. 27.38). Não se enganem existem ladrões em todos os lados, não apenas aqueles apresentados pela mídia. Um dos ladrões reconheceu o Seu pecado, e teve tempo para se arrepender (Lc. 23.42). Por causa disso, o Senhor prometeu que esse estaria com Ele no paraíso (Lc. 23.42,43). Há esperança para aqueles que comentem o pecado do furto/roubo, como Zaqueu poderão se arrepender dos seus pecados, e encontrar salvação em Cristo (Lc. 19.10).  

BIBLIOGRAFIA
BARCLEY, W. The ten commandments. Lousville: John Knox Press, 1998.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 

24 de fevereiro de 2015

Lição 09

NÃO ADULTERARÁS
Texto Áureo Mt. 5.28 – Leitura Bíblica  Ex. 20.14; Dt. 22.22-30


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Nesta aula estudaremos o sétimo mandamento, que trata a respeito do adultério. Esse é um assunto bastante apropriado, principalmente nos dias atuais, nos quais a sociedade decidiu endeusar o sexo. Inicialmente identificaremos as implicações de uma sociedade sexualizada, em seguida, mostraremos que o adultério continua sendo pecado, e ao final, daremos orientações cristãs que conduzam ao arrependimento, e a uma vida sexual de santidade.

1. SOCIEDADE SEXUALIZADA
Deus criou o ser humano para o sexo, negar essa dádiva divina não é bíblico. Na verdade, antes mesmo da Queda, o Senhor orientou Adão e Eva para que “fossem fecundos” (Gn. 1.28). O livro bíblico de Cantares, geralmente alegorizado, reporta a beleza do sexo no casamento (Ct. 1.2-16). O ato sexual, no contexto geral das Escrituras, deve existir dentro do casamento (Pv. 5.15-19). Para o escritor da Epístola aos Hebreus, o matrimônio e o leito sem mácula devem ser considerados (Hb. 13.4). No casamento, o sexo é devido aos cônjuges, de modo que o marido e a mulher devem se entregar um ao outro, também evitando que o outro venha a pecar (I Co. 7.3).  Isso deve ser levando em conta porque o sexo é uma necessidade, e se realizado dentro do casamento é uma benção de Deus. Contudo, por causa da natureza pecaminosa, o ser humano tem uma propensão para desvirtuar os projetos de Deus. Assim, o sexo, que deveria ser para o prazer, e também procriação, acabou fugindo do seu objetivo. Por isso, Na Antiga Aliança, Deus proibiu o adultério, sendo este punido com a morte (Lv. 20.10). A intenção desse mandamento é proteger a família, evitando que os cônjuges se entreguem à devassidão, comprometendo a felicidade no lar. A cultura da sexualidade, que se propaga na sociedade moderna, está destruindo muitos casamentos. A mídia explora demasiadamente a sexualidade, transformando-a não em Eros, como destacou C. S. Lewis, mas em Vênus. A ênfase exagerada que é posta no sexo, o transformou em algo irresponsável, objetivando apenas o prazer. A psicologia materialista moderna nivelou os seres humanos a simples animais, que não buscam outro interesse na vida a não ser o prazer sexual.

2.  O PECADO DO ADULTÉRIO
Por causa da ênfase no sexo como um fim em se mesmo, o adultério está se alastrando na sociedade. O número de casamentos desfeitos por causa desse pecado tem aumentado consideravelmente. Nesses últimos tempos, com o advento das mídias sociais, a adultério está sendo semeado através da internet. Os recursos das redes sociais, caso sejam usados indevidamente, sem as devidas precauções conjugais, podem contribuir para o adultério. O acesso à pornografia também tem causado estragos em vários relacionamentos conjugais. Há cônjuges que estão viciados nessa prática, e por causa dela estão idealizando o ato sexual. A pornografia é perigosa porque vicia, e ao invés de levar a pessoa a querer sempre mais, como acontece com os outros tipos de vícios, faz com que queiram cada vez mais o diferente. Por causa disso, pessoas que se iniciaram na pornografia, vendo imagens que consideravam simples, findaram em experiências horrendas. É perigoso se deixar levar pela luxúria, por causa dela muitos perderam não apenas a vida, mas também a alma (Pv. 6.25,26). Há homens e mulheres que estão brincando com fogo, achando que uma aventura não fará mal ao casamento (Pv. 6.27). Muitos que decidiram apenas “se divertir por um pouco” acabaram em desgraça e vergonha (Pv. 6.33,33). Até mesmo o rei Davi, por deixar de vigiar nessa área, pecou contra o Senhor (II Sm. 11.2). Os homens devem ter cuidado com os olhos, pois é possível que através deles venha o adultério (II Pe. 2.14). Como Jó, devem fazer um concerto com eles, para não coloca-los em mulheres que possam desvirtuá-los da fé (Jó. 31.1). O investimento na sexualidade sadia, dentro do casamento, previne o pecado do adultério (Pv. 5.15-20). Não devemos esquecer que o casamento é um mistério, homem e mulher se tornam uma só carne no ato conjugal (Ef. 5.31,32). Aqueles que entregam seu corpo a outro, que não seja o seu cônjuge, estão profanando o templo do Senhor (I Co. 6.13,15).

3. NÃO ADULTERARÁS
O adultério está se tornando cada vez mais natural, em alguns contextos pós-modernos chega a ser motivado, como demonstração de uma suposta liberdade sexual. Antigamente a prática do adultério era criminalizada pelo código jurídico brasileiro. Para Jesus o adultério continua sendo pecado, ele ampliou seu alcance ao explicar que se alguém cobiçar uma mulher em seu coração cometeu adultério com ela (Mt. 5.27,28). Na medida em que deixam de atentar para as palavras do Senhor, as pessoas acabam se acostumando com a infidelidade conjugal. Existem até aquelas que justificam seu pecado, argumentando que “a carne é fraca”. É bíblico que a carne é fraca (Mt. 26.41), mas também que é preciso andar no Espírito (Gl. 5.16). Quanto mais investimos no Espírito, menos propensos nos tornamos ao controle da carne. Aqueles que estão envolvidos nesse tipo de pecado precisam se arrepender e buscar o perdão. Como Davi, devem reconhecer que estão distanciados de Deus e que pecaram contra o Senhor (II Sm. 12.13). A confissão do pecado de Davi se encontra no Sl. 51, nesse texto bíblico o monarca abre seu coração, e clama pelo perdão e misericórdia divina. A igreja de Corinto se encontrava em uma sociedade não muito deferente da que nos encontramos atualmente. Por causa disso, estava vulnerável à carnalidade. Paulo reconheceu que entre eles haviam muitos que vinham de experiências sexuais pecaminosas. Mas essas pessoas, depois que se arrependeram, e se voltaram para o Senhor, foram justificadas no nome do Senhor Jesus (I Co. 6.11).

CONCLUSÃO
Há esperança para aqueles que se entregaram ao pecado do adultério, certa mulher foi flagrada nesse tipo de transgressão. Os acusadores quiseram apedrejá-la, mas Jesus interviu em seu favor, perdoando os seus pecados. As palavras do Senhor, para aquela mulher adúltera, se aplicam àqueles que se arrependem: “nem eu tampouco de condeno, vá e não peques mais” (Jo. 8.10,11). Portanto, para alcançar a misericórdia do Senhor é preciso confessar o pecado e abandoná-lo (Pv. 28.13).

BIBLIOGRAFIA
KALAS, J. E. The ten commandments from the back side. Nashville: Abingdon Press, 1998.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 

16 de fevereiro de 2015

Lição 08

NÃO MATARÁS
Texto Áureo Ex. 23.7 – Leitura Bíblica  Ex. 20.13; 35.16-25


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Dando continuidade aos estudos dos Dez Mandamentos, nos deteremos na aula de hoje no sexto mandamento: Não matarás. Inicialmente faremos uma análise da expressão, a fim de dirimir dúvidas teológicas, a partir do hebraico bíblico. Em seguida, ressaltaremos o valor desse mandamento, considerando a natureza sagrada da vida. Ao final, apontando os riscos de deixar de levar a sério esse importante mandamento.

1. NÃO MATARÁS
Esse mandamento é um dos mais curtos, a expressão hebraica é lo ratzach, ou simplesmente: “não mate”. O verbo hebraico ratzach tem a especificidade de se referir “ao assassinato de um ser humano”. Nada tem a ver com a pena de morte no sistema jurídico, ou em um confronto de guerra, ou até mesmo à morte de um animal. Essa expressão, em Ex. 20.13, se refere ao homicídio doloso, no qual há intenção de matar. Os casos de mortes acidentais eram previstos no sistema mosaico, que preservava a vida daquele que as ocasionasse (Dt. 4.42). Isso porque no sistema jurídico de Israel a pena capital era permitida, além da morte resultante em confrontos bélicos. Essa possibilidade é concebida também no Novo Testamento, o apóstolo Paulo não recomenda, mas atesta que o governo “não traz debalde a espada” (...) e que esse “é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm. 13.4). De acordo com esse texto, não compete a qualquer pessoa realizar a vingança (Rm. 12.19), mas o governo pode ter a responsabilidade de julgar, dependendo das leis do país, com a pena capital. Mesmo com essa possibilidade, os cristãos costumam adotar um posicionamento favorável à vida, dando ao transgressor a oportunidade para o arrependimento. Além disso, faz-se necessário reconhecer que o Estado também é falho, e pode incorrer no risco de julgar indevidamente as pessoas. Em um contexto de corrupção, é possível que os condenados à morte sejam justamente aqueles que se encontram em posição de vulnerabilidade. O evangelho de Jesus Cristo garante ao pecador a possibilidade de arrependimento, e esse deve ser o posicionamento da igreja (At. 3.19).

2.  A VIDA É UMA DÁDIVA
O sexto mandamamento ressalta a dignidade da vida humana, infelizmente essa geração tem sido marcada pela cultura da morte. A morte está se alastrando por todos os lados, e as vidas das pessoas estão sendo coisificadas. A morte do ser humano está sendo banalizada, as produções cinematográficas e os programas de TV atestam essa realidade. Os atentados à vida também são comuns, empreitadas terroristas que assustam as pessoas, chacinas de menores nas ruas e nas escolas. A cultura da violência está se propagando de tal modo que estamos deixando de nos escandalizar com os assassinatos. Cada ser humano que morre é contado com números frios, sem atentar para a dignidade da vida nas Escrituras (Gn. 4.8; Lv. 24.21; , e que nos é reafirmada nas palavras de Jesus (Jo. 10.10). Atentados contra a vida podem ser constatados também nas práticas do aborto e da eutanásia (Jó. 12.10). Comumente os evangélicos são rotulados de conservadores, em virtude do seu posicionamento contra essas práticas. Na verdade, os cristãos se posicionam em favor da vida, ao defenderem que o feto é vida (Sl. 139.13-16; Jr. 1.5), e que a vida das pessoas não são descartadas, quando essas adoecem (Sl. 139.13-16), ou estão nos dias da velhice (Sl. 92.14). A igreja deve manter seu posicionamento firme em relação a esses assuntos, mas também dar o exemplo através de práticas sociais que auxiliem pessoas marginalizadas, ou que se tornaram vítimas de um sistema que descarta a vida humana. Como o samaritano da parábola de Jesus, devemos ajudar os mais necessitados, aqueles que são desconsiderados pela sociedade utilitarista (Lc. 10.31-37).

3. CUIDADO
Não é difícil transgredir o sexto mandamento, isso se atentarmos para o conceito bíblico mais amplo de assassinato. Muitas pessoas estão matando a fé uma das outras através de atitudes escandalosas. Além disso, a agressão não se dá apenas pelos meios físicos, mas também pelo verbal (Mt. 5.21,22). A ofensa é uma forma de manifestar esse mandamento, na medida em que denigre a imagem da pessoa humana. Deus abomina o cerne do assassinato, onde esse se origina, no ódio alimentado, e no desejo de vingança. Há pessoas que não matam fisicamente, mas desejam que seus inimigos morram. Por esse motivo João adverte que “todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (I Jo. 3.15). O coração de algumas pessoas está repleto de ódio, por isso utilizam a língua para disseminar a maldade, e destruir a vida das pessoas (Mt. 12.34). O autor dos Provérbios destacou que existem pessoas cujas palavras são como pontas de espada (Pv. 12.18). Há pessoas que agridem os outros verbalmente, e não se ressentem de suas palavras, isso também é assassinato. As palavras têm o poder de matar, existem muitas pessoas nas igrejas adoecidas por causa de uma agressão verbal. Lembramos que um dos motivos do assassinato pode ser a inveja, por causa dela Caim matou seu irmão Abel (Gn. 4.8). Esse sentimento tôxico tem causado muitos males à sociedade, inclusive às igrejas, pessoas adoecidas que querem se colocar acima das outras. Por causa da inveja muitos estão sendo assassinatos diariamente, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. 

CONCLUSÃO
Em meio à cultura da morte, a igreja da responsabilidade de levar adiante a mensagem da vida. Não podemos esquecer que Jesus é a Vida (Jo. 11.25; 14.6). E porque estamos a serviço do Autor da Vida, devemos investir na vida, se opondo à cultura da morte. Para tanto, precisamos pregar, usando as palavras e atitudes que façam a diferença na sociedade. A vida de Cristo deve contagiar as pessoas, devemos ser canais de vida, em um mundo no qual cada vez mais se propaga a morte.

BIBLIOGRAFIA
HAUERWAS, S. M., WILLIMON, W. J.The truth about God: the ten commandments in christian life. Nashvile: Abingdon Press, 1999.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.



10 de fevereiro de 2015

Lição 07

HONRARÁS PAI E MÃE
Texto Áureo Cl. 3.20 – Leitura Bíblica  Ex. 20.12; Ef. 6.1-3; Mc. 7.10-13
 
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Um dos sinais dos últimos dias da igreja na terra é a desobediência aos pais, uma demonstração de apostasia (II Tm. 3.9). Essa é uma realidade evidente, o espírito de rebeldia está se difundindo cada vez mais na sociedade. Conforme estudaremos na lição de hoje, a orientação de Deus, em resposta a essa constatação, é a obediência aos pais, dando-lhes a honra devida. Na primeira parte da aula faremos uma apresentação contextualizada do mandamento. Na segunda, ressaltaremos as promessas de Deus no prolongamento dos dias vidas àqueles que obedecem ao mandamento do Senhor.

1. HONRAR PAI E MÃE
O verbo honrar, em hebraico, é kaved, e se encontra no modo imperativo, cujo significado é “levar em consideração”. Essa palavra hebraica, literalmente, significa “pesado” ou “que pesa”, com o sentido de “demonstrar peso”. Esse termo é usado inclusive para ressaltar a glória de Deus, dando o devido “peso” à Sua condição. Esse mandamento é de capital importância, haja vista esse ser o primeiro mandamento da segunda tábua da torah (Ex. 31.18). Em se tratando dos mandamentos sociais, a honra aos pais tem proeminência. Isso também mostra o valor dado por Deus à família, o relacionamento saudável entre seus membros é fundamental. Agostinho de Hipona perguntou certa feita: “Se alguém não honrar os pais, haverá alguém que ele poupará?” Ao que tudo indica, parece que não, tendo em vista que a forma como nos relacionamos com os outros se sustenta na maneira como tratamos os membros da família. No Antigo Testamento a honra aos pais é posta na mais elevada posição, por isso, está escrito que “Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue é sobre ele” (Lv. 20.9). A penalidade para a desonra aos pais era a morte, o filho rebelde deveria ser levado aos anciãos da cidade, ser apedrejado (Dt. 21.18-21). O livro de Provérbios, carregado de sabedoria judaica, apresenta orientações práticas a fim de que os filhos atentem para esse importante mandamento (Pv. 1.8; 3.1,2; 6.20; 23.22).

2.  UM MANDAMENTO COM PROMESSA
Estamos inseridos em uma sociedade contestadora, nossos filhos estão sendo ensinados pela mídia, e até mesmo nas escolas, a não obedecerem aos seus pais. Em oposição a essa filosofia pós-moderna, a Palavra de Deus nos instrui à obediência, a considerar aquilo que os pais dizem. Muitos filhos estão pagando alto preço por causa da desatenção que deram às palavras dos seus pais. Se muitos que se encontram nos presídios atualmente tivessem ouvindo os conselhos paternos, certamente não estariam atrás das grades. A obediência a esse mandamento está atrelada a uma promessa, a de uma vida longa (Ex. 20.12). O apóstolo Paulo lembra que esse é o primeiro mandamento com promessa (Ef. 6.2) e reforça que “isto é agradável ao Senhor” (Cl. 3.20). Essa mensagem deve ser reafirmada nos dias atuais, os filhos precisam saber que poderão colher frutos amargos se decidirem contrariar a orientação de seus pais. Há aqueles que consideram seus pais ultrapassados, e querem ter um estilo de vida diferenciado, comprometendo a integridade da vida na desobediência. Os pais, principalmente aqueles que se fundamentam na Palavra de Deus, têm condições de nortear as decisões dos filhos. A experiência também não pode ser descartada, é preciso ouvir os mais velhos, coadunando-se às instruções do Senhor (Lv. 19.32). Os pais também não podem fugir da responsabilidade de dar as instruções necessárias aos seus filhos (Pv. 22.6). Existem pais que estão relaxando no ensinamento da Palavra aos seus filhos, deixando de cria-los “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef. 3.21; 6.4).

3. A APLICABILIDADE DO MANDAMENTO
É responsabilidade dos pais a instrução dos filhos no caminho do Senhor, especialmente dos obreiros (I Tm. 3.5; Tt. 1.6). Evidentemente esse texto se aplica aos filhos em idade de sujeição, existem aqueles que ao cresceram se distanciam dos conselhos dos pais, e se afastam do evangelho de Cristo. Esses são os filhos pródigos, que devem ser tratados com amor, e pelos quais os pais devem orar, na expectativa de que retornem à casa do Pai (Lc. 15.19). O tempo, e as adversidades, poderão atuar na vida deles, e como aconteceu com o filho perdido, poderão reencontrar o caminho de volta, e saber que não existe lugar melhor que nos braços do Pai. Aos filhos que estão na igreja, a admoestação bíblica é a de que honrem seus pais, a menos que esses se interponham ao discipulado de Cristo (Mt. 10.37). Jesus é o maior exemplo de filho que soube honrar seus pais, o evangelista narra que desceu Ele com seus pais para Nazaré, e em conformidade com o costume judaico, era-lhes sujeito (Lc. 2.41-50). Até mesmo nos momentos finais de vida na terra, Jesus se lembrou da sua mãe, entregando-a aos cuidados de João, o discípulo amado (Jo. 19.26,27). Essa é um modelo que deve ser seguido pelos filhos crentes, para que não se deixem levar pelo utilitarismo da sociedade contemporânea. Nossos pais, ainda que não consigam produzir como antes, e demandem cuidados por causa da idade avançada, devem ser honrados pelo desprendimento que tiveram a fim de nos provê o necessário para a existência.

CONCLUSÃO
O princípio da honra aos pais permanece como mandamento do Senhor aos filhos cristãos. A promessa de vida longa é reafirmada no Novo Testamento. Aqueles que quiserem longevidade, deverão ouvir os conselhos dos seus pais, ainda que parecem ser ultrapassados. O reflexo de uma sociedade decadente é percebido na medida em que essa se distancia dos marcos antigos (Pv. 22.28). Atitudes simples podem fazer muita diferença, pedir a benção aos pais era um costume normal antigamente, mas que, infelizmente, está desaparecendo dos lares.  

BIBLIOGRAFIA
HOBBERT, J. C. The ten commandments: a preaching commentary. Nashville: Abingdon Press, 2002.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

3 de fevereiro de 2015

Lição 06

SANTIFICARÁS O SÁBADO
Texto Áureo Mc. 2.27 – Leitura Bíblica  Ex. 20.8-11; 31.12-17


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Desde os tempos antigos o ser humano está voltado à ação, e nesses últimos tempos, no contexto da modernidade, o espaço predomina sobre o tempo. Por isso, a mensagem do quarto mandamento continua atual, a fim de diminuir o ativismo, e despertar o homem para o descanso. Na aula de hoje meditaremos a esse respeito, antes faremos uma incursão teológica sobre o shabat bíblico, após discorrer sobre a opção cristã pelo domingo, faremos uma aplicação sobre a importância do descanso.

1. O SHABAT NA BÍBLIA
O shabat bíblico é sinônimo de descanso, por isso, ao invés de ser traduzido para sábado, como acontece em algumas línguas, há quem prefira a permanência do termo hebraico. Existiam vários shabat a serem observados pelo povo judeus, o shabat semanal (Ex. 16.23), o Dia da Expiação (Lv. 16.31; 23.32), o primeiro dia da Festa das Trombetas (Lv. 23.24), o primeiro e o oitavo dias da Festa dos Tabernáculos (Lv. 23.39) e o ano sabático (Lv. 25.4,5). Essa orientação bíblica, que também era um mandamento de Yahweh, revelava que Deus tem consideração tanto pelo trabalho quanto pelo descanso (Ex. 20.11). O fundamento para a observância do shabat está no próprio Deus, que após ter trabalhado, descansou no sétimo dia (Gn. 2.1-3). O povo de Israel deveria separar, guardar ou santificar (hb. qadash) o shabat para o Senhor como lembrança de que foram escravos no Egito, e que foram libertados pela mão poderosa de Yahweh (Dt. 5.15). Eles foram libertos da tirania da opressão, agora poderiam parar para descansar, e usufruir a providência de Deus. Essa também era uma demonstração de confiança no Senhor, de que o essencial não lhes faltaria, e que poderiam aprender a depender dEle. A observância ao shabat era um sinal específico para Israel, exclusivo para aquela nação, um testemunho para os povos (Ex. 31.13-17; Ez. 20.12,20). Jesus reinterpretou a observância ao Shabat, isso porque os religiosos da sua época, ao invés de o desfrutarem, transformaram em mero legalismo, deturpando a essência da instrução dada pelo Senhor (Mc. 6.31). Mas o próprio Jesus considerou o shabat, Ele mesmo se dirigiu nesse dia à sinagoga (Lc. 4.16).

2. SÁBADO OU DOMINGO?
No Novo Testamento a palavra é sabaton, com o mesmo sentido de descanso da língua hebraica. Os primeiros cristãos, por se tratarem de judeus, mantinham a observância do shabat (At 13.5, 14; 42-44; 14.1; 16.13; 17.12,16; 18.4; 19.8). Mas seguindo as instruções de Jesus, os primeiros cristãos, diferentemente dos religiosos da época, não eram legalistas em relação a esse dia (Mt. 12.9-14; Mc. 3.1-6; Lc. 6.6-11). O princípio deixado pelo Mestre foi o de que é sempre bom fazer o bem no shabat (Mc. 2.27,28). Existe uma controvérsia entre os cristãos a respeito da guarda desse dia, alguns defendem sua permanência, outros optam pelo domingo. Essa opção está fundamentada no tratamento dado por Cristo ao shabat, bem como pelos cristãos ao longo da história. Jesus deixou claro que o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado (Mc. 2.27,28). Isso quer dizer que não estamos mais presos à guarda de um dia específico da semana, contanto que o façamos para o Senhor (Rm. 14.5,6). A igreja cristã optou pelo domingo porque Jesus ressuscitou nesse dia (Mc. 16.9), foi o dia em que Ele se manifestou ressurreto (Lc. 24.13-36; Jo. 20.13-26). O Espírito Santo também foi derramando sobre a igreja em um domingo de Pentecoste (Lc. 23.15-21; At. 2.1-4). Esse era o dia no qual os primeiros crentes se reunião para celebrar a Ceia do Senhor, pregar e coletar ofertas (At. 20.7; I Co. 16.1,2). Há evidências históricas que comprovam a observância do domingo, e não do sábado pelos cristãos. Para Justino Martir, um dos pais da igreja, “o domingo é o dia em que todos temos nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana, e Jesus Cristo, nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da morte”. De modo que, conforme explicitou Paulo: “ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado, porque tudo isso em sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl. 2.16-19).

3. O PRINCÍPIO PERMANECE
Ainda que não estejamos mais presos à guarda de um dia da semana, seja ele o sábado e/ou domingo, o princípio do shabat bíblico permanece. Nas palavras da Confissão de Fé de Westminster, santificar o shabat é “um preceito positivo, moral e perpétuo”. Tomando os devidos cuidados, e evitando legalismos, é necessário considerar o princípio do descanso. Não podemos esquecer que o shabat “foi feito por causa do homem” (Mc. 2.27). Isso que dizer que precisamos dele, nenhum homem é uma máquina, carecemos de descanso. A era da industrialização transformou o trabalho em tirania, e nesses últimos anos, por causa do consumismo desenfreado, muitas pessoas querem ter cada vez mais, e valorizam o tempo cada vez menos. O homem moderno está obcecado por espaço, quer conquistar tudo o que for possível, esquecendo-se que o tempo é muito mais importante. Como estabeleceu o Senhor: “seis dias trabalharás e farás toda a sua obra” (Ex. 10.9), mas é preciso santificar ou separar o shabat, o descanso necessário para a alma e para o corpo. Ninguém deve ser escravo do trabalho, fomos libertados da angústia da ansiedade. Devemos trabalhar para ter o suficiente, e com isso vivermos contentes, é preciso ter cuidado para não se tornar escravo da ganância (I Tm. 6.6-8). Ao invés do nos deixar conduzir pelo espírito desta era, que nos lança na tirania do consumo, e nos conduz à preocupação, devemos aprender a confiar mais em Deus (Mt. 6.31-34). Em Cristo, temos agora um descanso, Ele é o nosso shabat, por causa do trabalho dEle, podemos agora descansar (Hb. 4.9,10).

CONCLUSÃO
Há quem diga que não devemos parar para descansar, existem até os que citam as Escrituras indevidamente (Mq. 2.10). Mas o texto precisa ser compreendido em seu contexto, de fato não podemos descansar no momento que devemos agir, mas isso não significa que devemos nos entregar ao ativismo. É necessário reconhecer que tudo tem o seu tempo determinado, e que há tempo para todo propósito debaixo do céu, inclusive para o descanso (Ec. 3.1).

BIBLIOGRAFIA
HOBBERT, J. C. The ten commandments: a preaching commentary. Nashville: Abingdon Press, 2002.
PACKER, J. I. Keeping the ten commandments: Illinois: Crossway Books, 2007.

26 de janeiro de 2015

Lição 05

NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR EM VÃO
Texto Áureo Lv. 19.12 – Leitura Bíblica  Ex. 20.7; Mt. 5.33-37; 23.16-19


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Os nomes bíblicos carregam significados especiais, não se trata de uma terminologia arbitrária, mas de uma revelação do caráter da pessoa. Em relação a Deus, Seus nomes revelados na Bíblia expressam Sua natureza. Na aula de hoje estudaremos a respeito dos nomes de Deus, e dos seus significados, a partir dessa análise, compreenderemos porque o nome do Senhor não poderia ser tomado em vão, de acordo com o terceiro mandamento. Ao final, destacaremos o valor do Nome de Jesus, que é um nome que está acima de todo Nome.

1. O NOME DE DEUS
O terceiro mandamento diz respeito ao nome do Senhor (Ex. 20.7), que não deve ser profanado. O nome de Deus foi revelado aos Israelitas, Yahweh identificou-se como o Senhor do Seu povo. A revelação desse nome ocorreu antes do povo chegar ao Sinai, quando Moisés viu a sarça ardente indagou como deveria ser referenciado o Deus que o enviaria a libertar os israelitas do Egito (EX. 3.14,15).  O nome de Deus revelado foi um tetragrama YHWH, composto por quatro consoantes, que literalmente significa “Eu sou quem eu sou”. Esse nome identifica a autoexistência divina, isso quer dizer que Yahweh – como costuma ser pronunciado o tetragrama – não depende de outros para existir. Por esse motivo o salmista declarou: “Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra” (Sl. 8.1). Os israelitas não estavam sendo proibidos de chamar Deus pelo nome, tratava-se de uma orientação jurídica, isto é, o nome do Senhor não poderia ser usado para dar falso testemunho. No entanto, alguns rabinos levaram tão a sério esse mandamento que deixaram de pronunciar o tetragrama, de modo que atualmente não se sabe ao certo como esse deve ser pronunciado. O nome YHWH quando identificado na leitura costuma ser substituído por Adonai, termo hebraico que significa Meu Senhor, ou tão somente Senhor, como tem sido utilizado na tradução bíblica para o português. A proibição, portanto, não está no uso do nome, mas na sua utilização indevida.

2. A REVERÊNCIA AO NOME DE DEUS
O nome do Senhor deveria ser reverenciado, não apenas por aqueles que lidam com a justiça, mas também pelos profetas. O uso inapropriado da expressão “assim diz o Senhor”, sem que Deus tivesse falado se constituía em pecado (Jr. 14.14,15). Aqueles que falam nas igrejas e nos púlpitos, em nome do Senhor, devem estar conscientes dessa responsabilidade. Trata-se de um perjúrio usar o nome de Deus para declarar algo que Ele não revelou, ou mesmo para prometer fazer algo que não será cumprido (Lv. 19.12). Isso deve ser considerado porque o nome de Deus é Maravilhoso (Jz. 13.17; Is. 9.6,7), portanto Jesus nos ensinou que todos devem reconhecer que o Nome de Deus é Santo (Mt. 6.9). O livro dos Salmos nos instrui a dar glória ao nome do Senhor (Sl. 29.2), e a cantar glória ao Seu nome (Sl. 72.19), a bendizer o Seu Santo Nome (Sl. 103.1). O nome do Senhor não deve ser profanado, antes invocado (Gn. 4.24), e digno de confiança (Is. 50.10), além de ser considerado glorioso (Dt. 28.58). A grandeza de Deus deve ser motivo para a reverência em relação ao nome do Senhor, ninguém deve usar Esse Nome indevidamente. O Nome de Deus não deve ser motivo de piadas, muito menos de blasfêmias. Mas não nos compete julgar, muito menos tomar atitudes agressivas em relação àqueles que profanam o Nome do Senhor, pois a Deus pertence à vingança, não a nós (Rm. 13.1).

3. EM NOME DE JESUS
O nome do Senhor não apenas deve ser mencionado através dos nossos lábios, como esse Nome reflete a identidade de um Deus de amor e graça, devemos viver para Ele e tudo o que fizermos, devemos fazer em Seu Nome (Cl. 3.17). Isso também é motivo para temer o Deus de Israel, inclusive o nome do Senhor Jesus. O pecado de Ceva, ao usar o nome de Jesus indevidamente, deve servir de alerta para aqueles que se apropriam desse Nome para satisfazer interesses pessoais (At. 19.17). O nome de Jesus tem autoridade especial para Sua igreja, não se trata de um amuleto, como querem defender alguns adeptos da Confissão Positiva. É preciso ter cuidado, pois nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor têm parte no evangelho de Cristo (Mt. 7.21-23). O nome de Jesus tem autoridade porque Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome (Fp. 2.9). Por isso, diante dEle deve se dobrar todo joelho dos que estão no céu e na terra (Fp. 2.10,11). Jesus é um nome que salva os pecadores, pois todos aqueles que O invocam encontram vida eterna (At. 4.12; Rm 10.13; I Jo. 5.13). Em nome dEle recebemos o batismo, fomos imersos no Seu corpo, fazendo parte da comunidade dos santos (Mt. 28.19). A santificação, operada em nós pelo Espírito Santo, acontece em nome de Jesus (I Co. 6.11). Infelizmente o nome de Jesus tem sido usado para fins interesseiros no contexto evangélico. Há quem o faça em forma de jargão “Em o nome de Jesus”, sem dar ao Senhor a glória, a honra e a autoridade que Lhe é própria.

CONCLUSÃO
O nome de Deus é significativo porque revela Sua natureza, a maneira como Ele se mostra através da Palavra. Ele não é apenas Elohim, o Deus Criador (transcendente), é também, Yahweh (imanente), o Deus que se envolve. A maior prova do interesse de Deus por nós é a vinda de Jesus, um Nome que está acima de todo e qualquer nome. Em Seu Nome temos a segurança de que somos aceitos por Deus, de Quem agora podemos nos aproximar chamando-O de Pai (Rm. 8.15-17).

BIBLIOGRAFIA
HOBBERT, J. C. The ten commandments: a preaching commentary. Nashville: Abingdon Press, 2002.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

20 de janeiro de 2015

Lição 04

NÃO FARÁS IMAGENS DE ESCULTURAS
Texto Áureo I Co. 10.14 – Leitura Bíblica  Ex. 20.4-6; Dt. 4.15-19

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos o segundo mandamento, que diz respeito à interdição da idolatria à verdadeira adoração. Conforme estudamos na lição anterior, há apenas um Deus, e Esse revelou o modo que deveria ser adorado. Inicialmente destacaremos a gravidade do pecado de idolatria, em seguida, meditaremos a respeito do fundamento evangélico para a genuína adoração a Deus: em espírito e em verdade.

1. IMAGENS E IDOLATRIA
O povo de Israel estava rodeado de falsos deuses, isso se intensificaria após a entrada na Terra Prometida. No Egito, e entre as nações com as quais Israel iria se relacionar, o culto aos deuses através de imagens de esculturas era bastante comum. Os egípcios adoravam Apis, Horus, Anubis, entre outros deuses, e todos eles eram representados por meio de figuras de animais. Mas o Deus que havia tirado Seu povo do Egito, e o libertado da escravidão, não admitia ser comparado a qualquer imagem de escultura (Ex. 32.6). Esse ensinamento deveria ser observado pelo povo escolhido de Deus. No período da Reforma, principalmente entre os seguidores de João Calvino, essa doutrina foi retomada ímpeto, a fim de contrapor-se ao uso de imagens pelo Catolicismo Romano. Os reformadores argumentavam, com propriedade e fundamentação bíblica, a rejeição da adoração de imagens. O ídolo – pessel em hebraico – é terminantemente proibido na religiosidade judaica (Dt. 4.15-31). O fundamento para essa interdição estava no fato de Deus ter se revelado de modo que o povo não identificou uma forma física – temunah em hebraico - quando o Senhor se revelou em Horebe (Dt. 4.15). As consequências da idolatria no meio daquele povo seria uma abominação, que o levaria à destruição (Dt. 4.26). Deus havia estabelecido um concerto com Seu povo, a construção de ídolos e a adoração a eles significaria uma ruptura desse pacto (Dt. 4.31). Os profetas de Israel e Judá chamariam a atenção do povo, advertindo-o quanto ao perigo da idolatria (Is. 43.16), e reclamando a adoração ao Único e Verdadeiro Deus (Is. 44.9-20).

2. O PECADO DA IDOLATRIA
A adoração aos ídolos representava, por conseguinte, um perigo para o povo de Israel, isso porque se tratava de um pecado. O Deus que tirou os israelitas do Egito não poderia ser assemelhado a qualquer imagem, do céu e muito menos da terra. Prostrar-se diante de uma imagem de escultura sempre foi considerada uma transgressão à revelação do Senhor, que se manifesta na Palavra, na Torah. As religiões das imagens costumam substituir a palavra pelos ícones, ou mesmo pelos ídolos. Mas a igreja cristã não pode se distanciar da Palavra de Deus, ninguém deve fundamentar sua adoração a Deus com meio visíveis. Existe uma tentativa de atenuar esse pecado trocando a palavra “adorar” por “venerar”, mas essa substituição não têm diferença semântica. Dobrar-se diante de uma imagem de escultura é pecado, ao longo da Bíblia os escritores se opõem a esse tipo de idolatria (Sl. 115). No Novo Testamento, o ídolo também é reprovado, e sua adoração terminantemente proibida (I Co. 10.14; I Jo. 5.21). Em consonância com a revelação do Antigo Testamento, o Deus que se revela na Palavra é zeloso – qanna em hebraico – e por ser único não admite ser confundido com outros deuses, muito menos ser representado em semelhança de coisas terrestres. Esse pecado seria punido, dentro da expressão de fé judaica, até a “terceira e quarta geração” (Ex. 20.5; Dt. 5.9). Evidentemente essa declaração não pode ser interpretada literalmente, trata-se de uma figura de linguagem hebraica (Am. 1.3-13; Pv. 30.15-29). Esse pecado pode ser perdoado, contanto que o idólatra reconheça sua transgressão e se volte para o Senhor, que é misericordioso (Ex. 20.6; Dt. 5.10).

3. A VERDADEIRA ADORAÇÃO
A adoração a Deus deve está fundamentada na revelação, ninguém pode se prostrar diante de um deus estranho. Somente o Deus das Escrituras é digno de honra, glória e louvor, não há outro além dEle (Is. 44.8). A adoração a imagens de esculturas é um reflexo da queda do ser humano, que se nega a cultuar a Deus espiritualmente. Quando se afasta da Palavra de Deus, o homem acaba por construir seus ídolos, de acordo com seus interesses pessoais. Jesus declarou que Deus é Espírito, portanto deve ser adorado espiritualmente (Jo. 4.24). O espírito não é uma substância material, não tem carne nem ossos (Lc. 24.39). Trata-se de uma Deus Invisível, e por conseguinte, somente pode ser adorado espiritualmente (Cl. 1.15; I Tm. 1.17). Mas é preciso ter cuidado pois esse Deus também é verdadeiro, por isso somente pode ser adorado por meio da Verdade. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6), a Palavra de Deus é a Verdade (Jo. 17.17). Por isso, a adoração a Deus não pode ser mero misticismo, muitas pessoas reconhecem que Deus é Espírito, mas querem adorá-Lo sem fundamentação escriturística. É preciso ressaltar que Deus busca adoradores, e os adoradores que Ele busca, sabem que se trata de uma adoração pessoal (Jo. 4.23). A adoração espiritual e verdadeira acontece por meio da revelação das Escrituras a respeito de Jesus Cristo (Hb. 1.1,2). Essa adoração independe de lugares, não é o espaço e a condição física que determina a adoração, mas a verdade bíblica e a disposição espiritual.

CONCLUSÃO
A adoração a Deus não depende de imagens de escultura, ou de qualquer construção humana, mesmo que essa seja mental. Algumas pessoas não adoram ídolos feitos de material físico, mas acreditam em um deus que não passa de uma representação mental. O Deus da Bíblia é Espírito, portanto deve ser adorado como Tal. Para adorá-lo, devemos seguir os passos de Cristo, que é a Verdade, nEle nossa adoração é real, e aceita por Deus, que se compraz no Seu Filho (Mt. 3.17).

BIBLIOGRAFIA
HOBBERT, J. C. The ten commandments: a preaching commentary. Nashville: Abingdon Press, 2002.
KALLAS, J. E. The ten commandaments from the back side. Nashville: Abingdon Press, 1998.