25 de agosto de 2015

Lição 09

A CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS
                              Texto Áureo  II Pe.. 2.12  – Leitura Bíblica  I Tm. 3.1-16

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Nesta seção da II Epístola a Timóteo, Paulo alerta a igreja em relação à corrupção dos últimos dias dentro e fora da igreja. Na aula de hoje veremos que esses, de acordo com o Apóstolo, serão tempos trabalhosos. Por isso, precisamos ter referenciais que apontem para Paulo, principalmente Cristo, nosso modelo por excelência. Ao final da lição nos voltaremos para a utilidade das Escrituras, enquanto norma de fé e prática, com vistas à salvação, maturidade espiritual e apologética.

1. OS TEMPOS TRABALHOSOS
Paulo alerta o jovem Timóteo em relação aos tempos difíceis que sobreviriam sobre a igreja nos últimos dias (II Tm. 3.1). Esse período se refere ao tempo que antecede ao arrebatamento da igreja, a respeito do qual Paulo discorreu em I Ts. 4.13-17. O adjetivo grego chalepos, traduzido por difícil, significa que serão  tempos “difíceis de suportar”, isto é, não será fácil enfrenta-los. De certo modo, nos tempos de Paulo, e certamente nos dias atuais, experimentamos essa condição. As pessoas se caracterizam pelo comportamento egoísta, marcado pelos interesses próprios, e desrespeito a lei de Deus (Rm. 8.7). Em seguida Paulo descreve o comportamento mau dos homens dos últimos dias: amantes de si mesmos e inimigos de Deus. A palavra amor aparece quatro nas dezenove expressões descritas pelo Apóstolo. É uma demonstração que o amor das pessoas, nesses dias difíceis, estará direcionado para elas mesmas. Isso será percebido pelas atitudes de avareza, jactância, arrogância e blasfêmia (II Tm. 3.2). Além disso, elas serão desafeiçoadas, implacáveis, caluniadoras, sem domínio de si, cruéis, inimigas do bem, traidoras, atrevidas, enfatuadas, antes amigas dos prazeres do que de Deus (II Tm. 3.3,4). Esse é um mostruário da situação na qual estamos vivendo, as pessoas são extremamente hedonistas, a busca pelo prazer tornou-se a condição primordial da existência. Isso as coloca em uma posição degradante, na medida em que, por não amarem a Deus, também não amam ao próximo, contrariando o mandamento do Senhor (Mc. 12.28-34). O descaso em relação ao outros nos preocupa, estamos assistindo, nesses últimos dias, uma coisificação da pessoa humana. Existem até aqueles que aparentam piedade, mas não passam de sepulcros caiados, estão cheios de hipocrisia e vaidade (Mt. 23.25).

2. PAULO, UM OBREIRO EXEMPLAR
Os falsos mestres que  estavam na igreja de Éfeso eram tão perigosos, de modo que a aproximação deles se constituía em situação de risco, o melhor seria manter distância (II Tm. 3.5,6; I Co. 5.9-12). Isso porque eles eram proselitistas, não se conformavam em seguir o engano sozinhos, queriam conduzir outros após eles (II Tm. 3.6-9). Como Janes e Jambres, os mágicos da corte de Faraó, que se opuseram a Moisés, se utilizam de sofismas para levar ao erro (Ex. 7.11). Paulo orienta Timóteo a seguir outro caminho, recorre à expressão: “tu, porém” (II Tm. 3.10). Os obreiros verdadeiros vivem no “porém” de Deus, isto é, não se deixam levar pelas correntezas do engano. Eles seguem os exemplos que são dignos de serem imitados, e Paulo certamente é um desses, no procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, perseguições e sofrimentos. Paulo expressou seu exemplo de vida aos Filipenses: “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Fp. 3.17). Não que Paulo estivesse se gloriando, seu objetivo era fazer distinção entre sua motivação, e a dos falsos mestres que se infiltraram em Éfeso. Os cristãos são chamados para serem diferentes no mundo, eles estão em uma fôrma diferente, são guiados pela vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Paulo repete o “porém”, a fim de que Timóteo, e nós também, permaneçamos naquilo que aprendemos, e fomos inteirados, sabendo de quem aprendemos. Os obreiros, e a igreja em geral, não devem fazer concessões da Palavra de Deus, substituindo-a por pensamentos humanos. É preciso ter cuidado quando se busca uma formação acadêmica, as tendências universitárias seguem o materialismo. A psicologia moderna desconsidera os postulados bíblicos, quer explicar os comportamentos humanos a partir de uma matriz meramente cultural. Muitos pastores, influenciados por essas filosofias, estão desconsiderando os ensinamentos da Palavra de Deus. Nenhum conhecimento humano pode substituir a mensagem contundente das Sagradas Escrituras.  Devemos permanecer naquilo que ouvimos de Cristo, desde o princípio (II Jo. 9 I Jo. 2.24).

3. A UTILIDADE DA PALAVRA DE DEUS
Os falsos mestres de Éfeso se envolviam em questões loucas, tratavam de assuntos dos quais não tinham fundamento. Isso ainda acontece atualmente, há supostos mestres nas igrejas que querem levantam temas sem qualquer respaldo bíblico. Alguns debates assemelham-se às controvérsias da igreja medieval, nas quais os estudiosos queriam calcular quantos anjos cabiam na cabeça de um alfinete. Ao invés de nos envolvermos com essas questiúnculas, que a ninguém edificam, e servem apenas para insuflar o ego, devemos nos dedicar ao estudo da  Bíblia. As Escrituras são inspiradas por Deus, no grego o termo é theopneustos, cujo significado é o de “soprada por Deus, através do Seu Espírito”. Isso mostra que a Bíblia não é apenas livros de homens, é a Palavra revelada de Deus (II Tm. 3.16; II Pe. 1.21). Essa inspiração foi plenária, diz respeito a sua totalidade; e verbal, abrange as palavras registradas pelos escritores. Isso, por outro lado, não fundamenta a defesa de uma teoria do ditado verbal, além disso, Deus respeitou os estilos de cada escritor. A inspiração das Escrituras tem o propósito de edificar a igreja, o objetivo delas é o ensino no contexto eclesiástico, para que o homem e a mulher de Deus estejam aptos a fazer a obra de Deus com Sua aprovação. Inicialmente elas nos tornam sábios para a salvação, e esse é o principal propósito das Escrituras, conduzir as pessoas ao conhecimento da verdade em Cristo, o Salvador. Depois disso, promover a maturidade espiritual, na medida em que o estudo dedicado se realiza. E quando necessário, a Palavra de Deus tem função apologética, ela se opõe ao erro, e mostra  o caminho correto, a sã doutrina (II Tm. 3.17). Não devemos nos distanciar da utilidade das Escrituras, o termo grego é ophelimos, e diz respeito a algo que realmente é vantajoso. Isso quer dizer que as discussões dos falsos mestres, além de serem improdutivas, eram extremamente desvantajosas.

CONCLUSÃO
Estamos vivenciando os tempos difíceis a respeito dos quais tratou Paulo em sua II Epístola a Timóteo. Nós, os cristãos deste século, devemos viver no “porém” de Deus, em conformidade com Sua Palavra, não segundo o curso deste mundo (Rm. 12.1,2). Para isso, devemos permanecer naquilo que aprendemos, e fomos inteirados através do ensino e exemplo de homens e mulheres de Deus. A Escritura deve continuar sendo nossa regra de fé e prática, não podemos fazer concessões em relação à norma que vem de Deus, reconhecendo que essa é útil para a salvação, maturidade e apologética.

BIBLIOGRAFIA
HENDRIKSEN, W. 1 e 2 Timóteo e TitoSão Paulo: Cultura Cristã, 2011.
WEIRSBE, W. W. Be faithful: 1 & 2 Timothy, Titus and Philemon. Colorado Springs: David C. Cook, 2009.

19 de agosto de 2015

Lição 08

APROVADOS POR DEUS EM CRISTO JESUS
                               Texto Áureo  II Tm. 2.15  – Leitura Bíblica  I Tm. 2.1-18


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Nesta seção da II Epístola de Paulo a Timóteo, somos instruídos pelo Apóstolo a viver em santidade, fundamentados na Palavra. Veremos na aula de hoje que Paulo orienta Timóteo a ser obreiro aprovado, e que não tenha do que se envergonhar. Em seguida, faz a distinção entre os obreiros que honram e desonram o trabalho de Deus, comparando-os a vasos de ouro, prata, madeira e barro. Ao final, faz advertências a Timóteo, bem como à Igreja, para que não se envolvam em questões loucas, e contendas que a nada levam, e que não resultam em edificação.

1. OBREIRO APROVADO POR DEUS
Paulo é um exemplo de obreiro aprovado por Deus, isso porque suporta todas as coisas por amor dos eleitos (II Tm. 2.10). Uma das características primordiais de um obreiro aprovado é sua disposição para sofrer por causa de Cristo e Sua igreja, uma demonstração de amor ao evangelho (II Co. 11.16-23; Rm. 8.35-39). Essa é uma mensagem que contradiz a doutrina triunfalista comumente apregoada nos arraiais evangélicos. Há pastores que não querem mais se sacrificar pelo rebanho. Diferentemente destes, Paulo está disposto a suportar todas as coisas a fim de que, por meio de seu ministério, as pessoas sejam salvas eternamente em Cristo (II Tm. 2.11-13). O obreiro dedicado a Deus não pode fugir da sua responsabilidade, deve ser fiel, mesmo diante das perseguições, pois o Deus a quem servimos permanece fiel, em todas as circunstâncias. É preciso ter cuidado para não se envolver em discussões loucas, contendas desnecessárias, totalmente inúteis (II Tm. 2.14). Existem obreiros que estudam, mas tão somente para demonstrar erudição, sem compromisso com a verdade exarada na Palavra de Deus. O conhecimento bíblico-teológico é fundamental ao exercício do pastorado, mas não deve ser instrumento de arrogância. Os falsos mestres que se infiltraram em Éfeso, como alguns que conhecemos atualmente, debatam assuntos que desconhecem, e que não estão revelados nas Sagradas Escrituras. Para demonstrarem uma espiritualidade superior, arrogam sobre si um conhecimento especial, sem qualquer fundamentação bíblica. O obreiro aprovado por Deus maneja bem a palavra da verdade, ele não apenas conhece o texto bíblico, mas sabe também interpretá-lo, sem deturpar o conteúdo da mensagem (II Tm. 2.15, 16).

2. VASOS DE HONRA E DESONRA NA IGREJA
O Senhor conhece aqueles que são seus, existem muitos supostos mestres que andam pelas igrejas, que advogam serem conferencistas, mas na verdade não passam de enganadores. Uma das marcas dos verdadeiros mestres é a santidade, eles se apartam da injustiça e vivem para a glória de Deus (II Tm. 2.18,19). Como em uma mesma casa existem vasos de ouro e prata, bem como de madeira e barro, entre os obreiros existem aqueles que são para honra, e outros para desonra. A característica de um vaso de honra na casa de Deus é a pureza, a santificação, diferentemente daqueles que vivem na hipocrisia, e se entregam à lassidão moral (I Co. 15.33). Paulo dá uma orientação específica para Timóteo: “Fuja, porém, dos desejos da juventude, e vá pós a justiça, a fé, o amor, a paz com aqueles que invocam o Senhor de coração puro” (II Tm. 2.22). Os jovens pastores, ao que tudo indica, são mais susceptíveis às tentações, por isso devem ter cuidado redobrado. Satanás tentou a Cristo, de igual modo tentará distanciar os obreiros da comissão para a qual foram chamados. Mas como o Senhor poderemos vencer através da Palavra de Deus (Mt. 4.1-4), por meio dela fugiremos da tentação do prazer desenfreado, do poder descontrolado, e das possessões terrenas. Infelizmente muitos obreiros estão se deixando levar pelas propinas do Diabo, alguns deles justificam a desonestidade tratando o pecado com naturalidade. A hipocrisia está solapando o meio evangélico, há líderes que censuram determinadas práticas mundanas, mas dentro da igreja são vasos de desonra. Pastores que amam o presente século, que se dobram diante de Mamon, o deus deles não é o da Bíblia, mas o próprio ventre. O evangelho de Jesus Cristo tem sido deturpado por causa de alguns pastores televisivos, que por se encontrarem em evidência, passam para a sociedade um modelo de cristianismo que nada tem a ver com Cristo.

3. CONTENDAS DESNECESSÁRIAS
Em seguida Paulo instrui Timóteo a rejeitar as questões insensatas e ignorantes, isso porque servem apenas para gerar contendas desnecessárias. Existem falsos mestres na igreja que semeiam intrigas entre os irmãos, fundamentando-se em revelações particulares, distanciadas da Palavra. É preciso ter cuidado com o experiencialismo que predomina em algumas igrejas evangélicas, principalmente entre os pentecostais. Há crentes que não leem a Bíblia, não frequentam a Escola Dominical, não querem saber da doutrina e instrução na Palavra. Esses se tornam alvos fáceis dos falsos mestres, e geralmente disseminam heresias no seio da congregação. Ainda por cima arvoram serem mais espirituais do que os outros, alguns querem até ter maior autoridade que os ministros da igreja. Ao contrário da arrogância demonstrada por esses, os crentes devem ser amáveis com todos, qualificado para ensinar, paciente ante as injúrias, e que com mansidão devem corrigir os oponentes. Não adianta entrar em discussões infindas, que não levam à edificação espiritual, às vezes é melhor calar (II Tm. 2.23,24; I Pe. 2.21-24). É possível que, através de um comportamento de mansidão, até mesmo os falsos mestres venham a se arrepender dos seus procedimentos. Não podemos perder a esperança de conduzir as pessoas a Cristo, principalmente porque existem pessoas que estão sendo enganadas, e que se forem alertadas a tempo poderão abandonar o erro. Essas pessoas precisam ser constantemente advertidas, é importante que frequentem os trabalhos de ensino da igreja. Mas é necessário fazê-lo com cautela, com sólida formação bíblica, e equilíbrio espiritual, caso contrário, há o risco de se deixar conduzir por aqueles que apregoam doutrinas falsas.

CONCLUSÃO
Por causa do evangelho Paulo passou por adversidades, mas não fez concessões em relação ao conteúdo da mensagem. O exemplo do Apóstolo deve servir de motivação para todos os obreiros que desejam ser aprovados por Deus. Tal aprovação depende de uma vida alicerçada na Palavra de Deus, demonstrada em santificação. Uma vida piedosa poderá surtir efeito até mesmo entre os opositores. Na medida em que vivemos com amabilidade, poderemos conduzir alguns a Cristo, principalmente aqueles que estão sendo vítimas do engano.

BIBLIOGRAFIA
KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito. São Paulo: Vida Nova, 1983.
SWINDOLL, C. R. Insights on 1 & 2 Timothy and TitusIllinois: Tyndale House Publishers, 2013

11 de agosto de 2015

Lição 07

EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO
Texto Áureo II Tm. 1.12 – Leitura Bíblica  II Tm. 1.1-8; 2.1-4


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A Segunda Epístola de Paulo, ao contrário do que se costuma pensar, por se encontrar na Bíblia em sequência a Primeira, não foi a segunda epístola pastoral do Apóstolo, mas a última, quando estava preso em Roma, antes de ser martirizado. Depois de Primeira a Timóteo Paulo escreveu a Tito, que será estudada posteriormente. Na aula de hoje nos voltaremos para a primeira seção de II Timóteo, ressaltando a necessidade da intercessão pelos ministros, a importância da convicção do obreiro em relação à doutrina, e a realidade do sofrimento para aqueles que seguem piedosamente a Cristo.

1. INTERCESSÃO PELOS MINISTROS
Depois de identificar-se como “enviado de Cristo Jesus”, Paulo se dirige a Timóteo como “amado filho”, mostrando interesse pelo seu ministério. Os pastores devem ser acompanhados por outros pastores, é preciso reconhecer as agruras da obra, e a necessidade de ter um ombro amigo, alguém que realmente seja digno de confiança, para quem o ministro pode se dirigir, principalmente nos momentos mais difíceis. Sabemos que essa não é uma tarefa fácil nos dias atuais, marcados por tanta disputa eclesiástica. Muitos pastores carregam traumas e marcas na alma, porque não conseguem se abrir, e não confiam nas pessoas que, ao invés de ajudarem, almejam se apropriar dos seus cargos. O receio de perder a posição também está adoecendo muitos obreiros, que se apegam demasiadamente aos recursos materiais, e por isso se tornam escravos da condição na qual se encontram. É digna de destaque a identificação do Apóstolo com seu filho na fé. É gratificante quando testemunhamos casos de convivência saudável entre os ministros de Deus. De vez em quando é preciso que a igreja se preocupe com a realização de encontro entre os obreiros, simplesmente para desfrutar de momentos aprazíveis na presença do Senhor, para cultivar relacionamentos edificantes. Paulo destaca a fé de Timóteo, que diferentemente da dos falsos mestres de Éfeso, estava alicerçada na Palavra de Deus, que ele havia aprendido dos seus familiares, e também do próprio Apóstolo (II Tm. 1.5). A formação bíblica, inicialmente na família, é fundamental para o crescimento na fé, e contribui para o desenvolvimento do ministério. Alguns dos mais dedicados obreiros na casa de Deus tiverem seus primeiros ensinamentos em casa, junto aos pais e mães dedicados ao evangelho, que repassarem os fundamentos da verdade cristã.

2.  A CONVICÇÃO DO OBREIRO CRISTÃO
O ministro de Deus, diante das oposições pelas quais passa, pode vir a querer desfalecer em algum momento da vida. Paulo sabia que Timóteo, mesmo sendo um obreiro dedicado, corria esse tipo de risco, principalmente por causa da sua timidez (II Tm. 1.6-8). Por isso, o incentiva a despertar o dom de Deus que estava sobre ele, é provável que Paulo tenha sido informado que Timóteo estava tendo dificuldade para lidar com a oposição em Éfeso. Esse não era o caso, mas há ministros que fazem concessões do evangelho quando se veem ameaçados. Nos dias atuais, nos quais predomina o humanismo materialista, há obreiros querendo trocar o evangelho por ideologias humanas. A verdade das Escrituras está sendo substituída por pensamentos humanos, que nada têm de escriturísticos. Em contextos mais acadêmicos esse risco é maior ainda, principalmente quando queremos racionalizar o evangelho, ou mesmo dá-lhe uma conotação meramente social. Os ministros de Deus são chamados para permanecer naquilo que foram instruídos e inteirados, sabendo que o que aprenderam veio de Cristo, não de homens (II Tm. 3.16,17). Paulo dá exemplo assumindo que sabe em quem creu, e muito mais que isso, que Jesus dará, em tempo oportuno, o bom depósito espiritual, prometido a todos aqueles que forem fieis no ministério (II Tm. 1.12). Em outra oportunidade Paulo deixou claro que não se envergonhava do evangelho, isso porque era poder de Deus e salvação para todo o que crê (Rm. 1.16). A mensagem do evangelho é simples, e na maioria das vezes escandalizadora, e não se coaduna à lógica deste mundo. Por causa disso somos tentados, a todo instante, a negar a sua loucura. Os judeus sempre foram afeitos aos sinais, e os gregos à sabedoria, mas o evangelho de Jesus Cristo é crucificação (I Co. 1.18-25). Paulo admoesta Timóteo a não fazer concessão em relação ao evangelho. Os obreiros de Deus, em todos os tempos, não foram chamados para pregar uma mensagem agradável ao mundo. A contextualização na pregação da palavra é necessária, mas sem subverter os princípios eternos do evangelho de Jesus Cristo.

3. OS SOFRIMENTOS POR CAUSA DE CRISTO
Nesse trecho da Epístola Paulo ora pelo pastor-filho e amigo Timóteo. Sobretudo para que ele seja fortalecido na graça que há em Cristo Jesus, considerando que esse passava por momentos de adversidade e sofrimento (II Tm. 2.1). É sempre necessário lembrar, principalmente aos que tem aspiração ao ministério, que essa é uma obra de sacrifício (II Tm. 3.12). Na verdade, Cristo não prometeu que a vida cristã, especialmente a do ministro, estaria isenta de sofrimento (Jo. 16.33). Isso nos instiga a fazer os mesmo pelos pastores, principalmente nos dias atuais, marcados por tanto descaso e perseguição ao ministério. Muitos estão sofrendo o preconceito resultante dos excessos de líderes aproveitadores. Mas devemos reconhecer a seriedade daqueles que labutam na organização da igreja, e principalmente na palavra e na doutrina (I Tm. 5.17). Existem obreiros fiéis na seara do mestre, pastores que são dignos do nome que carregam, que realmente apascentam o rebanho. Muitos deles são esquecidos pela mídia, não estão nos programas de televisão, preferem viver em surdina, sacrificando-se pelo evangelho no anonimato. Esses se esmeram para dar o melhor para a edificação da casa de Deus, para a maturidade do Corpo de Cristo. Esses são soldados valorosos, alistados no exército de Cristo (II Tm. 2.3).  Como bons soldados do Senhor, não se embaraçam com as coisas terrenas, pois o alvo deles é conduzir os súditos do Reino ao céu. Muitos obreiros atuais não são soldados do exército divino, servem ao reino de Mamom, querem saber apenas do dinheiro dos crentes. Eles militam em prol dos seus interesses, não dos de Deus, fazem fortuna através do evangelho falacioso que pregam. Os pastores dedicados são como os agricultores, que plantam a semente da palavra no coração das pessoas, na esperança que ela germine, e produza frutos para a glória de Deus (II Tm. 2.6).

CONCLUSÃO
Essa Segunda Epístola de Paulo a Timóteo é uma advertência séria em relação à importância da fidelidade no ministério, sobretudo à Palavra de Deus. Como ministros precisamos permanecer cientes do nosso chamado, sobretudo do conteúdo daquilo que recebemos, não de homens, mas de Deus em Jesus Cristo. Os ministros precisam estar convictos do que creram, devem ser conhecedores da mensagem, e não se apartarem dela, ainda que não agrade aos padrões do mundo. Esses obreiros, que sabem em Quem têm crido, e são fiéis à mensagem de Cristo, receberão do Senhor o bom depósito, por ocasião da Sua vinda.

BIBLIOGRAFIA
CALVINO, J. Epístolas pastorais. São José dos Campos: Fiel, 2009.
ZEHR, P. 1 & 2 Timothy, Titus. Scottdale: Herold Press, 2010.


4 de agosto de 2015

Lição 06

CONSELHOS GERAIS
                          Texto Áureo  At. 20.26  – Leitura Bíblica  I Tm. 5.17-6.9-10


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Após instruir Timóteo em relação aos falsos mestres, Paulo dá alguns conselhos sobre o ministério cristão. Na aula de hoje meditaremos a respeito dos conselhos dados pelo Apóstolo com vistas à melhoria dos relacionamentos no contexto eclesiástico. Conforme veremos, isso envolve, entre outros assuntos, a relação entre patrão e empregado, bem como o cuidado financeiro do rebanho com o seu pastor, ainda que esse não deva depositar sua confiança nas riquezas.

1. O MINISTÉRIO CRISTÃO
A igreja deve permanecer atenta quanto ao sustento dos seus presbíteros, para tanto é preciso reconhecer que digno é o obreiro do seu salário. Os obreiros que tinham dedicação em tempo integral deveriam ser remunerados, aqueles que administravam bem, e se dedicavam à Palavra e à doutrina, seriam dignos de duplicados honorários (I Tm. 5.17). Os presbíteros devem ser aptos a ensinar, na verdade essa é uma das qualificações exigidas para esse ministério (I Tm. 3.2). Depreendemos que os presbíteros eram eminentemente supervisores da obra, mas alguns também se dedicavam ao ensino. É importante que tenhamos ministros que se esmeram no magistério eclesiástico (Rm. 12.7). Uma igreja que não valoriza os seus mestres está fadada a trilhar o caminho das falsas doutrinas. Essa valorização tem a ver com remuneração, especialmente àqueles que dependem totalmente do ministério, pois não se  deve privar o sustento ao boi que debulha (I Tm. 5.18). Os presbíteros também devem ter tratamento diferenciados, inicialmente que tenham vidas dedicadas a Deus, vigiem e orem para não caírem em pecado (Mt. 26.41). No caso de qualquer acusação contra eles, deve-se ter cuidado para não julgar antecipadamente, testemunhas confiáveis devem ser ouvidas (I Tm. 5.19). Se o pecado for comprovado, esse deve ser repreendido publicamente, a fim de que sirva de instrução para os demais, para que não venham a cometer o mesmo erro (I Tm. 5.20). Toda cautela é necessária, evitando, assim, que o obreiro seja injustamente acusado, e que não haja parcialidade (I Tm. 5.21). A imposição de mãos, em I Tm. 5.22, não se refere à consagração, mas a disciplina dos presbíteros. Com essa orientação o Apóstolo demonstra sensatez diante da necessidade da disciplina, ao mesmo tempo em que favorece a possibilidade de restauração do obreiro. Em seguida recomenda a Timóteo quanto à ingestão de um pouco de vinho, por razões medicinais, considerando que essa era uma prática comum na antiguidade (I Tm. 5.23). Na medicina antiga o vinho era prescrito, a fim de evitar problemas gástricos. Ninguém deve assumir esse recomendação como doutrinária, trata-se de uma orientação específica para Timóteo.

2. A RELAÇÃO PATRÕES E EMPREGADOS
Relacionamentos saudáveis são extremamente importantes para o bem estar da igreja. Por isso Paulo dá alguns conselhos sobre o trato entre patrões e empregados. A fé cristã sempre valorizou o trabalho, reconhecendo que esse é uma benção de Deus, uma possibilidade para glorificá-LO. O Deus que também trabalha espera que os seus servos façam tudo para glória dEle, não apenas para agradar a homens. Qualquer tipo de trabalho, contanto que seja lícito, é uma oportunidade para revelar nosso compromisso com Deus (Cl. 3.22,23). Por isso os servos devem estimar seus senhores, evitando que o nome de Deus, seja blasfemado (I Tm. 6.1). Como o cristão não trabalha apenas para homens, deve ser um empregado dedicado, não roubando do seu empregador, nem agindo com falta de responsabilidade. Os patrões, por sua vez, devem respeitar os direitos trabalhistas, há patrões que tratam muito mal seus empregados. Deus julgará a injustiça daqueles que administram gananciosamente seus recursos, privando os servos do pagamento necessário (Tg. 5.4). Existem leis trabalhistas que regem as relações patrão e empregado, e essas devem ser respeitadas pelos cristãos, para que sirvam de exemplo para a sociedade. Por outro lado, os empregados cristãos devem fazer todo o possível para não levar seus patrões também cristãos aos tribunais humanos. Paulo aconselha os crentes de Corinto, e isso se aplica também a nós, que resolvamos esse tipo de demanda internamente, sem apelas aos tribunais públicos (I Co. 6.6).

3. ALGUNS CONSELHOS
Na parte final da Epístola Paulo dá conselhos aos crentes a respeito de assuntos diversos. Inicialmente chama a atenção quanto àqueles que não respeitam a sã doutrina, que se distanciam da Palavra de Deus. Não podemos deixar de lembrar que a Bíblia foi inspirada pelo Espírito Santo (II Tm. 2.16,17; II Pe. 1.21). As igrejas genuinamente evangélicas se submetem ao testemunho fiel e verdadeiro das Escrituras, os ensinamentos são avaliados à luz desse crivo, os doutrinadores são julgados a partir daquilo que está escrito. É importante considerar esse conselho porque existem muitos mestres que estão se infiltrando nas igrejas apenas para auferir lucros dos fiéis. O obreiro de Deus, mesmo sendo sustentado pela igreja, não pode ser ganancioso, muito menos colocar o coração nas riquezas. A maior riqueza de um obreiro é a piedade (gr. eusebeia), uma vida dedicada a Deus, através de momentos de oração e meditação na Palavra. Existem muitos pastores que, por causa do desejo de ficarem ricos, estão se afastando da fé. Paulo adverte quanto ao amor ao dinheiro, ressaltando que o amor a esse é a raiz de toda espécie de males (I Tm. 6.9,10). Essa mensagem confronta diretamente a famigerada teologia da ganância, que está se infiltrando em muitas igrejas evangélicas. A espiritualidade do obreiro não deve ser identificada pelo total de bens que conseguiu acumular. De nada adianta ser rico na terra, ajuntar tesouros nos bancos, e não ser rico para Deus (Lc. 12.21). Há lideranças nas igrejas que se tornaram escravas do dinheiro, são obreiros fraudulentos que não conseguem ver outra coisa, a não ser a lã das ovelhas. Até mesmo os ricos da igreja devem ser ensinados a não colocar sua fé nos bens materiais que possuem, mas em Deus que abundantemente nos dá todas as coisas (I Tm. 6.17). Os bens não podem ser usados apenas para satisfação pessoal, devem servir também para fazer o bem ao próximo, é assim que se enriquece em boas obras (I Tm. 6.18).

CONCLUSÃO
O tesouro do cristão não está na terra, pois ele não coloca a sua fé no que tem, mas em quem Deus é (Mt. 6.19-24). Mamom é o deus deste século, e tem seu altar estabelecido no meio dos homens. O crente aprendeu a viver contente em todas as circunstâncias, e sabe tanto ter abundância quanto passar por privação (Fp. 4.13).  A piedade, demonstrada através do contentamento, é grande fonte de lucro para o cristão (I Tm. 6.6). Os obreiros desta geração não podem esquecer essa importante verdade bíblica, que está sendo deturpada por uma teologia equivocada, que busca apenas as riquezas terrenas, e que nada tem a ver com as Escrituras.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
WILSON, G. B. As epístolas pastorais. São Paulo: PES, 1982.

29 de julho de 2015

Lição 05

APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
              Texto Áureo  I Tm. 4.1  – Leitura Bíblica  I Tm. 34.1-16


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a partir dessa seção da I Epístola a Timóteo os perigos das heresias. Em seguida, exortaremos, com o apóstolo Paulo, quanto à importância de permanecer na sã doutrina. Ao final, com base nessa mesma Epístola, ressaltaremos a necessidade de manter-se fiel e diligente no ministério que o Senhor nos confiou. Atestaremos, após esse estudo, que a mensagem do Apóstolo se aplica aos dias atuais, marcados por heresias que comprometem a verdade do evangelho. 

1. A APOSTASIA DOS ÚLTIMOS DIAS
As falsas doutrinas costumam entrar sorrateiramente no seio da igreja cristã, e na maioria das vezes, deixam de ser percebidas. O fundamento das heresias geralmente é moral, não necessariamente teológico. A teologia ortodoxa tem sofrido por causa de muitas pessoas que advogando uma nova revelação, se afastam dos ensinamentos bíblicos, tão somente para respaldar seus desvios da Palavra. Os falsos mestres dos tempos de Paulo não temiam a Deus, por isso viviam em lassidão, deixaram de sentir os danos do pecado. A consciência deles estava cauterizada (gr. kauteriazo), isto é, perdeu a sensibilidade. Nenhum cristão convicto da sua fé deve ser acostumar com o pecado, antes devemos odiá-lo em nós mesmos, e buscar viver em santificação. Por outro lado, precisamos ter cautela para não entrar pelo caminho do ascetismo. A heresia que estava se espalhando em Éfeso proibia o que Deus havia criado para o ser humano, até mesmo o casamento. Em Gn. 1.28 e 9.3 atestamos que tanto o casamento quanto a alimentação foram criados por Deus, não apenas para a reprodução e nutrição, mas também para o prazer. O casamento, ao contrário do que postula a filosofia relativista, foi instituído por Deus, de acordo com Seus parâmetros (Gn. 2.18; 2.24; Mt. 19.3-12; I Co. 7.1-24). O próprio sexo dentro do casamento é legítimo, pois venerado é o leito sem mácula (Hb. 13.4). No que tange ao ascetismo, é preciso ter cuidado, pois muitos que proíbem demais, estão se firmando não na graça de Deus, mas em méritos legalistas (Cl. 2.8-11). O ascetismo exagerado pode se tornar um motivo de vaidade, e uma tentativa de deixar de depender da providência divina. Jesus ressaltou que todos os alimentos são puros (Mc. 7.14-23), isso também foi ensinado por Pedro (At. 10), e confirmado por Paulo (I Co. 10.23-33). O vegetarianismo, por exemplo, pode ser uma opção pessoal, mas sem qualquer valor espiritual (Rm. 14.1,2), é preciso, no entanto, ser ponderado, para não ferir a consciência dos mais fracos (Rm. 13.13-24).

2. A IMPORTÂNCIA DA SÃ DOUTRINA
Uma das melhores maneiras dos pastores evitarem a heresia é investir na formação bíblica da sua igreja, através do estudo e meditação, enfatizando a sã doutrina. Inicialmente faz-se necessário que esses se posicionem em relação aos ensinamentos falsos, e os denunciem perante a igreja. Há pastores que não fazem mais apologética, se acostumaram de tal maneira às falsas doutrinas que perderam o foco espiritual. Os ministros são verdadeiros servos (gr. diakonos) da igreja, servindo a mesa com o genuíno alimento espiritual. Mas para isso eles mesmos precisam investir no estudo bíblico, pois somente serão pastores-mestres se se tornarem alunos. O conhecimento da verdade é a única maneira de combater o erro, ninguém pode identificar o falso se antes não tiver contato com o verdadeiro. Algumas doutrinas estão sendo disseminadas nas igrejas evangélicas brasileiras que nada têm de bíblicas. Há líderes de renome nacional que disseminam suas ideias, sem que essas tenha respaldo bíblico. A teologia da ganância, normalmente denominada de prosperidade, é um equívoco. O acúmulo de riquezas nada tem a ver com espiritualidade, ninguém é mais ou menos crente pela quantia que tem ou deixa de ter. Por outro lado, alguns estão confundido marxismo com cristianismo, e adotando uma pauta ideológica que também não se fundamenta na Palavra. O evangelho de Cristo não está alicerçado no pensamento individualista e consumista da direita, e muito menos no pensamento materialista e coletivista da esquerda. O evangelho dá ao homem a responsabilidade de escolher, inclusive de decidir se distanciar de Deus, ainda que tenha que colher o fruto do que plantou (Gl. 6.7). De igual modo, devemos ter responsabilidade social, pois Cristo nos chamou para viver no mundo, e nos identificar com aqueles que passam por necessidade (Lc. 4.18; Mt. 11.5). Os cristão que se preocupam com as causas sociais, e que se respaldam na ortodoxia bíblica, devem ser respeitados sem que sejam rotulados de adeptos da esquerda.

3. FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
Espera-se que o pastor seja fiel aos seus líderes, o princípio da autoridade deve ser respeitado. No entanto, nenhum líder deve se submeter a doutrinas que não tenham fundamento bíblico. Há pastores que sob a justificativa de que são autoridade suprema querem inserir “fábulas profanas” dentro das igrejas. Há líderes que adoram as novidades, vivem buscando saber qual o movimento da moda, para não ficarem ultrapassados. Faz-se necessário identificar e refutar os contradizentes, isto é, os que não seguem o evangelho, e que estão indo após ensinamentos falsos (Tt. 1.14; II Tm. 4.4). A norma basilar de autoridade na igreja evangélica é a Palavra de Deus, todos estão submissos a ela, pastores e mestres. No catolicismo é a tradição que dita as regras da igreja, mas não na orientação protestante. Todos aqueles que assumem a tribuna devem fazê-lo com temor e tremor, cientes de que prestarão contas a Deus a respeito do que anunciam. Ao mesmo tempo, a fidelidade à liderança da igreja é um pressuposto, espera-se que um líder tenha outros líderes, a fim de prestar-lhe obediência. Mas essa deve se firmar nas Escrituras, pois elas são a norma de fé da igreja cristã. O pastor também deve ser um homem piedoso (gr. eusebeia), dedicado à vida espiritual. Isso quer dizer que o obreiro do Senhor deve ser reverente, por isso deve separar tempo para se dedicar à leitura da Bíblia e à oração. O cuidado com o corpo também é necessário, pois esse é templo do Espírito Santo (I Co. 6.19,20) e instrumento para o serviço (Rm. 12.1,2). O foco do pastor não está no culto ao corpo, mas em uma vida espiritual, na intimidade diária com Deus, pondo sua esperança no Deus Vivo (I Tm. 4.9-11). O pastor deve ser um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza, e também no estilo de liderança, sem agir como dominador do rebanho (I Pe. 5.3). Os pastores jovens não devem ser desprezados pelos mais velhos (I Tm. 4.12), antes admoestados para que cresçam no ministério do Senhor.

CONCLUSÃO
Por fim, Paulo recomenda a Timóteo, e se aplica à liderança da igreja atual, que se dedique à leitura pública das Escrituras (I Tm. 4.13), tal como faziam os sacerdotes em Israel (Ne. 8.8). Isso tem a ver com a exposição bíblica, prática que está sendo abandonado nas igrejas evangélicas. Faz-se necessário ler, explicar e aplicar as Escrituras, essa é a base de sustentação da igreja. Devemos fazê-lo não apenas dependendo da meditação (I Tm. 4.15), mas também do poder (gr. carisma) do Espírito Santo (I Tm. 4.14). É fundamental ensinar e viver o que se ensina, é assim que se cuida de si mesmo e da doutrina (I Tm. 4.16).

BIBLIOGRAFIA
GOUD, D. 1 & 2 Timothy/Titus. Nashville: B & H, 1997.
LOPES, H. D. 1 Timóteo: o pastor sua vida e obra. São Paulo: Hagnos, 2014.

22 de julho de 2015

Lição 04

PASTORES E DIÁCONOS
                             Texto Áureo  I Tm. 3.2  – Leitura Bíblica  I Tm. 3.1-13


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A primeira parte do capítulo 3 da Primeira Epístola de Paulo a Timóteo apresenta orientações a respeito do pastorado e do diaconato. Na aula de hoje estudaremos a respeito desses ministérios, com vistas à edificação do corpo de Cristo. A princípio, destacaremos a função do pastorado, que a princípios era delegada aos presbíteros, enquanto supervisores da obra, e ministradores da palavra. Em seguida, atentaremos para o ministério dos diáconos, ressaltando, sobretudo, seu chamado para o serviço cristão.

1. O MINISTÉRIO PASTORAL-PRESBITERAL-EPISCOPAL
O dom ministerial de pastor é necessário por diversos motivos, dentre eles, a importância de manter a decência e ordem no culto, atentando para os elementos litúrgicos da celebração (I Co. 14.40). Além disso, existem falsas doutrinas que se proliferam, ameaçando a integridade do evangelho. O pastor tem responsabilidade apologética, de proteger o rebanho dos falsos mestres, os lobos que querem devorar as ovelhas (Tt. 1.11; II Pe. 2.1). Mas é no cuidado individual das ovelhas que o pastor exerce com maior propriedade o seu ministério, principalmente quando alguma delas se encontra enfermas (Tg. 5.14). É nesse particular que o ministério de pastor se diferencia dos demais de Ef. 4.11. Cabe ao pastor a tarefa de dar acompanhamento pessoal às suas ovelhas. Em Jo. 21.15-17 Jesus orienta Pedro em relação à adequação do ministério pastoral. Ele deveria apascentar primeiramente instruir as ovelhas no caminho, não deixando de prover alimento apropriado para o crescimento saudável. É triste testemunhar que nos dias atuais muitos procuram o título de pastor, sem qualquer interesse nesse importante ministério. A elitização do pastorado tem causado muitos males à igreja, principalmente depois que se criou a figura dos “pastores-presidentes”. Ninguém quer mais ser um simples pastor, como foi Jesus, que se sacrificou pelo rebanho. O dom ministerial de pastor é necessário por diversos motivos, dentre eles, a importância de manter a decência e ordem no culto, atentando para os elementos litúrgicos da celebração (I Co. 14.40). Além disso existem falsas doutrinas que se proliferam, ameaçando a integridade do evangelho. O pastor tem responsabilidade apologética, de proteger o rebanho dos falsos mestres, os lobos que querem devorar as ovelhas (Tt. 1.11; II Pe. 2.1). Mas é no cuidado individual das ovelhas que o pastor exerce com maior propriedade o seu ministério, principalmente quando alguma delas se encontra enferma (Tg. 5.14). É nesse particular que o ministério de pastor se diferencia dos demais de Ef. 4.11. Cabe ao pastor a tarefa de dar acompanhamento pessoal às suas ovelhas. Em Jo. 21.15-17 Jesus orienta Pedro em relação à adequação do ministério pastoral. Ele deveria apascentar primeiramente instruir as ovelhas no caminho, não deixando de prover alimento apropriado para o crescimento saudável. É triste testemunhar que nos dias atuais muitos procuram o título de pastor, sem qualquer interesse nesse importante ministério. Na verdade, a busca desenfreada por posição eclesiástica, tem causado muitos danos à igreja institucionalizada. É imprescindível que o pastor tenha conhecimento da Palavra, pois como irá doutrinar se não tiver fundamentação bíblica? Não podemos esquecer que toda Escritura é divinamente inspirada, e é a partir desta que o obreiro está preparado para toda boa obra (II Tm. 3.16,17). Se quisermos ser obreiros aprovados por Deus, inclusive no ministério pastoral, devemos manejar bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). Atualmente há muitas exigências para o ofício de pastor, mas que não têm respaldo bíblico, não se fundamentam nas recomendações paulinas (Tt. 1.7-11). Há igrejas que substituíram o modelo pastoral bíblico pela administração empresarial. Alguns pastores são reconhecidos não pela capacidade de apascentar, mas pela produtividade organizacional, pelos lucros que trazem às igrejas. Seguindo o exemplo de Jesus (Jo.13.1-17), o que mais se espera de um pastor é que esse seja amoroso, que apascente o rebanho com cuidado (I Pe. 5.1-3).

2. A ATUAÇÃO DOS DIÁCONOS NA IGREJA
Em sentido específico, o diácono é um ofício na igreja cristã, referido por Paulo em Fp. 1.1; I Tm. 3.8,12.  A esse respeito é preciso fazer a distinção entre o uso amplo do termo diácono, englobando as mulheres, como o caso de Febe (Rm. 16.1), e o restrito, relacionado ao oficío eclesiástico (I Tm. 3.8-13). A instituição do diaconato na igreja aconteceu em virtude do crescimento, demandando atitudes para sua administração. Os helenistas da igreja argumentavam que as viúvas gregas estavam sendo preteridas da assistência social (At. 6.1). Para resolver esse importante negócio os diáconos foram escolhidos, a fim de que os apóstolos pudessem se dedicar mais à Palavra. Isso quer dizer que eles acumulavam as atribuições, faziam mais do que podiam. Ministros centralizadores acabam por arcar com as consequências da liderança insegura. Há pastores que estão sobrecarregados com tantas responsabilidades, querem suprir todas as carências da igreja sozinhos, por causa disso comprometem a integridade física e espiritual. A opção dos apóstolos para a solução desse problema na igreja foi a escolha de sete homens, a maioria deles helenistas, para cumprir essa função social. Os apóstolos não tiveram receio de partilhar a organização da igreja com os cristãos gregos. Entre esses se encontrava Estevão, um diácono que não se restringiu apenas em servir às mesas. Ele era um diácono cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At. 6.3,10), cheio de fé (At. 6.5) e de poder (At. 6.8). Os diáconos da igreja, seguindo o exemplo de Estevão, não precisam ficar restritos ao trabalho social. Eles podem, com ousadia e intrepidez do Espírito, testemunhar do evangelho de Jesus (At. 1.8). Na seleção dos diáconos para o serviço na igreja deveriam ser observadas as seguintes qualificações: 1) respeitável – seu caráter deveria ser digno de imitação, levando suas atribuições a sério, não podiam apenas ocupar um cargo; 2) de uma só palavra – não deveria ser dado às conversas fúteis, tratava-se de uma pessoa digna de confiança; 3) não inclinado ao vinho – naquela região era comum as pessoas se embriagarem, os diáconos deveriam fugir da bebedeira; 4) não cobiçoso – a ganância tem conduzido muitos líderes à ruina, os diáconos deveriam se distanciar dessa prática, tendo em vista que é também da sua responsabilidade arrecadar as ofertas na igreja; 5) íntegros na doutrina – precisam ser conhecedores da Palavra de Deus, atentarem para as Escrituras, e sua conduta em piedade; 6) testado e experimentado – a vida dos candidatos ao diaconato deve ser provada, quando alguém assume um cargo de liderança sem ser provado pode decepcionar toda a congregação; 7) exemplo no lar – a esposa do diácono é parte do seu ministério, sua família deve ser um exemplo de piedade, sua mulher deve contribuir com o serviço diaconal; e 8) disposição para o trabalho – o diaconato é mais do que um título eclesiástico, as pessoas que são separadas para esse trabalho devem exercê-lo na igreja, com disposição e humildade.

CONCLUSÃO
O princípio da liderança servidora, que tem fundamentação bíblica, precisa ser resgatado em nossas igrejas. O modelo empresarial de liderança está desgastando muitos obreiros, alguns deles, ao invés de perceberem o ministério como serviço, estão procurando apenas status. Nos dias atuais, como nos tempos de Jesus, precisamos continuar orando para que Deus envie verdadeiros ceifeiros para sua seara (Mt. 9.38), pessoas realmente comprometidas com o Reino de Deus, não apenas com sua posição eclesiástica.

BIBLIOGRAFIA
PLATT, D., AKIN, D., METIDA, T. Exalting Jesus in 1 & 2 Timothy and Titus. Nashiville: B &H Publishing Group, 2013.
STOTT, J. A mensagem de I Timóteo e Tito. São Paulo: ABU, 2004.

14 de julho de 2015

Lição 03

ORAÇÃO E RECOMENDAÇÃO ÀS MULHERES CRISTÃS
     Texto Áureo  I Tm. 2.1  – Leitura Bíblica  I Tm. 2.1-11


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para o capítulo 2 da  Primeira Epístola a Timóteo. Nessa parte Paulo orienta à comunidade, bem como o seu líder, que orem pelas autoridades. Em seguida, mostra seu desejo de Deus de que todos cheguem ao conhecimento da salvação, por meio de Jesus Cristo. E ao final, apresenta algumas recomendações às mulheres, a fim de manter a ordem no culto. É importante ressaltar, a princípio, que essa será uma oportunidade não apenas de restringir, mas também de incentivar o serviço das mulheres na Igreja.

1. ORAÇÃO PELAS AUTORIDADES
A oração é uma responsabilidade de todo cristão, principalmente pelas autoridades constituídas (I Tm. 2.2). Nos tempos do Apóstolo é provável que esse se referisse ao imperador romano, e aos seus súditos, que governavam as províncias. Todo cristão está debaixo das autoridades, e essas são dadas para domínio, e preservação do bem comum, inclusive quando recorrem ao julgamento (Rm. 13.1). Talvez o apóstolo já antecipasse os dias maus que viriam no futuro, sob o império de Nero, que perseguiria intensamente os cristãos. A oração pelas autoridades não é a mesma coisa que obediência irrestrita. O próprio Paulo, em At. 16.37-40, apelou para seu direito como cidadão romano, quando foi injustamente penalizado. Há momentos que os crentes podem desobedecer às autoridades, quando a palavra dos homens quiser se impor sobre a Palavra de Deus (At. 5.26-29). Orar pelas autoridades é excelente, a fim de que os bons melhorem, e para o que são ruins não prosperem. No contexto da sociedade brasileira, a maior autoridade é a Constituição, todas as autoridades, presidentes e parlamentares, estão debaixo do seu crivo. Assim, sempre que uma autoridade age de maneira contrária à Carta Magna, está debaixo do juízo da lei, tornando-se susceptível às penas cabíveis. Além disso, os eleitores têm o direito de, através do sufrágio do voto, escolher com sabedoria, aqueles governantes que representam os interesses da sociedade. Não há respaldo bíblico, principalmente no Novo Testamento, para uma teocracia eclesiástica. O tratamento de Deus é com a Igreja, e essa é universal e invisível, não está restrita às fronteiras de uma nação. Somente Israel foi escolhida por Deus, e essa aguarda o cumprimento escatológico, que acontecerá no futuro, quando Cristo vier reinar (Ap. 19.16).

2. A SALVAÇÃO PARA TODOS OS HOMENS
Enquanto o plano escatológico de Deus não se concretiza para Israel, a tarefa da igreja é missionária, ir até os confins da terra, propagando a boa nova de salvação, no poder do Espírito Santo (At. 1.8). É vontade de Deus que todos os homens sejam salvos, e venham ao reconhecimento da verdade (I Tm. 1.4). Para tanto, a Igreja precisa cumprir a Grande Comissão, fazendo discípulos em todas as nações, ensinando-os a guardar as coisas que Jesus ensinou (Mt. 28.19,20). Algumas igrejas evangélicas estão perdendo o foco, deixando de levar adiante a mensagem de salvação. A partir do que apregoam alguns pregadores televisivos, parece mais que o evangelho é uma má notícia. As pessoas precisam reconhecer o amor de Deus, e por causa dEle se arrependerem dos pecados, e se voltarem para Cristo (Jo. 3.16). Jesus é o Sumo Sacerdote, o Grande Mediador entre Deus e os homens (Hb. 8.6; 9.15; 12.24), Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6), e em nenhum outro há salvação (At. 4.12). Estamos atualmente debaixo de uma nova aliança, na qual Cristo se põe no meio, a fim de nos livrar da maldição da lei (Gl. 3.13). Jesus se entregou em resgate por todos, não apenas um grupo previamente escolhido tem direito à salvação. A doutrina da predestinação calvinista, ainda que bem intencionada, com vistas a dar glória a Deus, não tem fundamento escriturístico. Trata-se de uma abordagem filosófica, alicerçada no determinismo, incompatível com a possibilidade bíblica de escolha. Deus amou o mundo, enviou Seu Filho, e dar vida eterna, mas espera que as pessoas creiam na Sua Palavra (Jo. 3.16). Ele depositou no coração de todas as pessoas, indistintamente, uma graça preveniente, para que todos tenham a possibilidade de aceitar ou rejeitar a salvação. O próprio Calvino se referiu a essa dádiva divina como “graça comum”, que é disponibilizada a todos os homens. 

3. RECOMENDAÇÃO ÀS MULHERES
No final desse capítulo identificamos algumas recomendações de Paulo em relação ao comportamento das mulheres no culto público. Inicialmente quanto às vestimentas, para que se adornem com decoro (I Tm. 2.9). A palavra modéstia, no grego neotestamentario, é aidos e significa “senso de pudor” e bom senso é sofronsine, “juízo perfeito”. Isso quer dizer que as mulheres devem escolher bem as roupas com as quais irão ao culto. Evidentemente essa orientação se aplica também à vida cotidiana. A repreensão do Apóstolo visa evitar os excessos, principalmente no que tange à ostentação, com traças e ouro ou pérolas ou roupas caras. O recato da roupa, para não incitar a concupiscência, também não pode ser desconsiderado. A mulher cristã pode se vestir bem, sem precisar gastar absurdos, também em respeito àqueles que nada têm.  Algumas mulheres dos tempos de Paulo usavam tranças com enfeites dourados, que demonstravam futilidade. Paulo não está incentivando o desleixo em relação à aparência, mas ressalta que o adorno deve ser o interior, demonstrado por meio de boas obras (I Tm. 2.10; 6.11,18; II Tm. 2.22; 3.17). Isso nos remete diretamente a I Pe. 3.3,4, a beleza da mulher cristã, em uma sociedade que supervaloriza padrões excludentes, está no interior, que é valiosa aos olhos de Deus. Em seguida, Paulo recomenda que as mulheres fiquem quietas na igreja, em silêncio. Ele destaca que é impróprio que uma mulher exerça autoridade sobre os demais membros. Essa orientação paulina se aplicava à realidade de Éfeso. Isso porque as mulheres, por não terem educação formal, e como aconteceu com Eva, eram influenciadas pelo engano dos falsos mestres, disseminando heresias na Igreja.  Em geral, as mulheres podem ensinar, tanto em casa quanto na congregação, contanto que se fundamentem na Palavra, como fez Priscíla (At. 18.24-26)

CONCLUSÃO
As mulheres sempre tiveram papel fundamental no ministério de Jesus (Lc. 8.1-3), o próprio Paulo destaca a atuação delas em suas epístolas. Várias mulheres estiveram a serviço do evangelho (Rm. 16.1-3; Fp. 4.3), com destaque para as viúvas idosas (I Tm. 5.9, 10), as diaconisas (I Tm. 3.11), e as mantenedoras da obra (I Tm. 5.16). É preciso ressaltar que em Cristo não há diferença entre homem e mulher (Gl. 3.28). É importante, no entanto, que as mulheres não se apartem do chamado para gerarem filhos, com a meta de conduzi-los à salvação em Cristo (I Tm. 2.15).

BIBLIOGRAFIA
HENDRIKSEN, W. 1 e 2 Timóteo e Tito. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
WEIRSBE, W. W. Be faithful: 1 & 2 Timothy, Titus and Philemon. Colorado Springs: David C. Cook, 2009.